sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

CARNAVAL E QUARESMA

Estes são dias de carnaval. Ele ocupa o final de semana, mas também o início da outra. Na verdade, o calendário assinala a terça-feira como seu limite. Mas já faz tempo que o carnaval ampliou seu espaço.
A antecipação do carnaval não causa tanto problema. Mas quando ele se prolonga além da terça-feira, então sim, se cria o impasse. A razão é evidente. De quarta-feira em diante, o espaço é destinado à quaresma. E se ela é invadida pelo carnaval, ele próprio começa a se desfigurar. Pois ele nasceu para servi de alerta quando o tempo da quaresma está chegando. E se ele próprio desrespeita este tempo, acaba perdendo sua fisionomia própria.
Sempre é bom recuperar as intenções originais das tradições que se firmam em nossa cultura. Pois nelas redescobrimos o sentido verdadeiro dos eventos tradicionais.
Pois bem, a história comprova com suficiente clareza que o carnaval foi suscitado pela própria quaresma. Foi a expectativa da quaresma despertou uma celebração secundária, que tomava sentido e recebia data a partir da quaresma.
Por isto, a contagem do carnaval é regressiva. Vamos “descontando” os dias que faltam para a quaresma.

Ao passo que a contagem da quaresma é progressiva, vamos “contando” os quarenta dias até entrarmos na Semana Santa.
Nesta perspectiva, havia uma estreita integração, entre carnaval e quaresma. A expectativa da quaresma, na medida de sua intensidade, justificava uma intensa celebração, feita em vista de entrar no tempo ansiosamente aguardado.
É fácil, então, compreender que na medida que o carnaval foi se dissociando de sua intenção original, foi adquirindo outra identidade. Mesmo que no calendário as duas efemérides continuem próximas, elas foram se afastando progressivamente na sua índole e na sua fisionomia cultural.
Assim, o carnaval assumiu identidade própria, sem depender da quaresma. E´ preciso dar-se conta disto, para avaliar hoje a realidade do carnaval. Com a quaresma, ele só tem em comum a proximidade no calendário.
Mas sempre é possível reatar as referências entre as duas celebrações. Ainda mais agora, com um número mais extenso dos dias do carnaval, podemos colocar estes dias a serviço de uma boa programação, onde inclusive antecipar os apelos que a quaresma continua nos fazendo.
A recomendação da Sabedoria nos dá uma boa receita para estes dias: “E´ na oração e nos descanso que está a vossa força”.
Se olhamos não só a quaresma que vem chegando, mas o ano todo que temos pela frente, bendito o carnaval, se ele nos proporciona refazer nossas forças pela oração e o descanso, para enfrentar os compromissos e os desafios, que este ano de 2012 nos apresenta.
Na diocese, fizemos nossa reunião de reinício das atividades pastorais. Em nossos planos, entrou a quaresma, que vem sempre acompanhada da Campanha da Fraternidade. Mas entraram na agenda também os dias de carnaval. Garantindo que as celebrações aconteçam neste final de semana. Mas também programando estes dias para que nos proporcionem novas energias pelo descanso, pela oração e pela alegria do convívio fraterno. Nesta perspectiva, que venha o carnaval, que compareça a quaresma, e que 2012 seja de fato um “ano da graça do Senhor”!
Fonte:
Dom Demétrio Valentini, bispo de Jales (SP) e ex-presidente da Cáritas Brasileira

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

CIDADE DE FREI PIO DE PIETRELCINA SEDIA SEMANA INTERNACIONAL DA RECONCILIAÇÃO, PROMOVIDA PELOS CAPUCHINHOS

A Cúria-geral dos Frades Menores Capuchinhos promove, a partir desta segunda-feira, em San Giovanni Rotondo (sul da Itália), a II Semana internacional da Reconciliação, sobre o tema: "O Sacramento da Reconciliação e a Nova Evangelização – tempo de reflexão e de formação para os presbíteros".
Este tema será analisado a partir de três aspectos: bíblico, teológico e pastoral, com a contribuição, entre outros, do Arcebispo indiano de Guwahati, Dom Thomas Menamparampil. A abertura será feita pelo Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Dom Rino Fisichella.
Na cidade de Padre Pio, haverá uma sessão dedicada à evangelização do Santo através do confessional. A Semana é aberta aos capuchinhos e a todos os sacerdotes religiosos seculares.
O tema do encontro se insere no contexto da realização, em outubro próximo, no Vaticano, do Sínodo sobre a Nova Evangelização, convocado por Bento XVI.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

VI DOMINGO DO TEMPO COMUM
12 DE FEVEREIRO DE 2012

Primeira Leitura: 2º Reis 5, 9-14
Leitura do segundo livro dos Reis - Naqueles dias, Naamã veio com seu carro e seus cavalos e parou à porta de Eliseu. Este mandou-lhe dizer por um mensageiro: Vai, lava-te sete vezes no Jordão e tua carne ficará limpa. Naamã se foi, despeitado, dizendo: Eu pensava que ele viria em pessoa, e, diante de mim, invocaria o Senhor, seu Deus, poria a mão no lugar infetado e me curaria da lepra. Porventura os rios de Damasco, o Abana e o Farfar, não são melhores que todas as águas de Israel? Não me poderia eu lavar neles e ficar limpo? E, voltando-se, retirou-se encolerizado. Mas seus servos, aproximando-se dele, disseram-lhe: Meu pai, mesmo que o profeta te tivesse ordenado algo difícil, não o deverias fazer? Quanto mais agora que ele te disse: Lava-te e serás curado. Naamã desceu ao Jordão e banhou-se ali sete vezes, como lhe ordenara o homem de Deus, e sua carne tornou-se tenra como a de uma criança. - Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial (31)
REFRÃO: Sois, Senhor, para mim, alegria e refúgio.
1. De Davi. Hino. Feliz aquele cuja iniqüidade foi perdoada, cujo pecado foi absolvido. Feliz o homem a quem o Senhor não argúi de falta, e em cujo coração não há dolo. - R.
2. Então eu vos confessei o meu pecado, e não mais dissimulei a minha culpa. Disse: Sim, vou confessar ao Senhor a minha iniqüidade. E vós perdoastes a pena do meu pecado. - R.
3. De Davi. Hino. Feliz aquele cuja iniqüidade foi perdoada, cujo pecado foi absolvido. - R.
Segunda Leitura: 1º Coríntios 10, 31-33; 11, 1
Leitura da primeira carta de São Paulo aos Coríntios - Naqueles dias, Portanto, quer comais quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus. Não vos torneis causa de escândalo, nem para os judeus, nem para os gentios, nem para a Igreja de Deus. Fazei como eu: em todas as circunstâncias procuro agradar a todos. Não busco os meus interesses próprios, mas os interesses dos outros, para que todos sejam salvos. 1Tornai-vos os meus imitadores, como eu o sou de Cristo. - Palavra do Senhor.
Evangelho: Marcos 1, 40-45
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos - Naquele tempo, Aproximou-se dele um leproso, suplicando-lhe de joelhos: "Se queres, podes limpar-me." Jesus compadeceu-se dele, estendeu a mão, tocou-o e lhe disse: "Eu quero, sê curado." E imediatamente desapareceu dele a lepra e foi purificado. Jesus o despediu imediatamente com esta severa admoestação: "Vê que não o digas a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e apresenta, pela tua purificação, a oferenda prescrita por Moisés para lhe servir de testemunho." Este homem, porém, logo que se foi, começou a propagar e divulgar o acontecido, de modo que Jesus não podia entrar publicamente numa cidade. Conservava-se fora, nos lugares despovoados; e de toda parte vinham ter com ele. - Palavra da salvação.

A autoridade de Jesus e a marginalização
A liturgia de domingo passado mostrou que Jesus não se deixou “privatizar” pela população de Cafarnaum, mas seguiu sua vocação para ir a outras cidades também. Hoje vemo-lo saindo para a margem da sociedade, para os lugares desertos onde viviam aqueles que na época eram chamados leprosos. Estes eram intocáveis, tabu! Jesus quebra esse tabu e, no fim, acaba ocupando o lugar do doente, nos “lugares desertos”.
Como nos evangelhos anteriores, vemos aqui uma indicação velada da personalidade de Jesus. Autoridade e compaixão, duas qualidades dificilmente compatíveis no ser humano, são as feições divinas que se deixam entrever no agir de Jesus. E revela-se sua superioridade em relação à Lei, segundo a qual Jesus não poderia tocar no leproso. Ele não depende da Lei para realizar o bem da pessoa. Por autoridade própria, reintegra o ser humano que a letra da Lei marginaliza.
Este tema convida a uma catequese sobre a reintegração dos que são marginalizados. Para que nós, como membros do Cristo, possamos realmente vencer a marginalização, será preciso agir com uma autoridade que esteja acima das convenções constrangedoras do sistema em que vivemos. Precisamos encarnar, de modo operante, essa compaixão reintegradora, neutralizando os mecanismos de marginalização e exclusão com a força divina da verdadeira solidariedade, baseada no amor.

A 2ª leitura continua o tema de domingo passado, sobre as carnes oferecidas aos ídolos. Paulo se apresenta a si mesmo como exemplo, pois o pregador deve ser a ilustração daquilo que prega. O apóstolo quer agradar a todos, não para lograr sucesso pessoal, mas para o bem de todos, a fim de que se deixem atrair por Cristo. Este texto é uma das mais lindas exortações que a Bíblia contém.
1ª leitura (2Rs. 5,9-14)
Para ilustrar o tema do evangelho de hoje, a liturgia propõe (como leitura opcional) a cura do general sírio Naamã pelo profeta Eliseu. A leitura nos mostra o horror que a doença causa nesse homem de destaque, a ponto de procurar um profeta em terra estrangeira, em Israel. O recorte litúrgico não inclui a descrição dos ricos presentes que o homem trouxe para o profeta e que realçam ainda mais o seu status. Menciona, sim, o orgulho de Naamã, que julga pouca coisa banhar-se no rio Jordão, um riacho, em comparação com os rios da capital de sua terra, Damasco. Mas, aconselhado pelos servos, o homem banha-se, assim mesmo, no rio Jordão e fica curado: “sua carne tornou-se semelhante à de uma criancinha”.
Em Israel, a lepra causava exclusão da comunidade e suspeita de algum pecado. Em contraste, o salmo responsorial (Sl. 32/31,1-2.5.11) canta a alegria de ser perdoado e readmitido.
Evangelho (Mc. 1,40-45)

O canto de aclamação ao evangelho fala de Deus que visita o seu povo (Lc. 7,16). É isso que acontece quando Jesus vai aos lugares ermos, onde encontra um leproso bem diferente do da 1ª leitura, Naamã. Este procurou Eliseu com pompa e vaidade. No evangelho, Jesus mesmo vai até o lugar onde o doente vive excluído, marginalizado. No exercício da “autoridade” divina sobre as forças do mal e, ao mesmo tempo, levado por uma compaixão humana que não deixa de ser divina, Jesus quebra o tabu da lepra, toca o doente e faz desaparecer a enfermidade. Na opinião do povo, a lepra devia ser obra de algum espírito muito ruim. Jesus quebra esse tabu. O doente reconhece em Jesus uma misteriosa “autoridade”, seu poder sobre os espíritos maus. “Se quiseres, tens o poder de me purificar” (Mc. 6,40). Jesus não pensa nas severas restrições da Lei, só sente compaixão, aquela qualidade divina que ele encarna. Apesar da proibição da Lei, toca no doente de lepra, dizendo: “Eu quero, sê purificado”. E a cura sucede. Jesus dá um sinal do reino. Se ele cura pelo “poder-autoridade” do Filho do homem, não é preciso primeiro consultar os guardiões da Lei. Basta que, depois de receber o benefício de Deus, o doente ofereça o sacrifício de agradecimento, conforme o rito costumeiro.
Como aos exorcizados, Jesus proíbe ao ex-leproso publicar o que sua “autoridade” operou. Manda o homem oferecer o sacrifício prescrito, para oficializar sua reintegração na comunidade. Jesus lhe proíbe publicar o ocorrido, porque a publicidade desvia a percepção da verdadeira personalidade de Jesus (que não apenas cura, mas também assume o sofrimento humano). Mas o ex-leproso não é capaz de silenciar o fato. Quem conseguiria esconder tanta felicidade? O homem, até então marginalizado, encontrou a reintegração e aproveitou-a para contar o que lhe acontecera. Mais: Jesus foi ocupar o lugar do leproso nos “lugares desertos” (1,45).
Esse episódio faz pressentir a crescente e mortal oposição das autoridades religiosas: Jesus sabe o que é o bem do homem melhor do que a Lei, segundo a interpretação dos escribas. Por autoridade própria, reintegra a pessoa que a letra da Lei marginalizava. Restaura a comunhão com o excomungado, passando para trás os que tinham o monopólio da reintegração. Aceitar este Jesus significa aceitar alguém que supera as mais altas autoridades religiosas. Nesse sentido, a cura da lepra funciona como um sinal: significa que, de fato, Jesus está acima das prescrições legais e pode prescindir delas.

2ª leitura (1Cor. 10,31-11,1)
Ao fim da discussão sobre a carne consagrada aos ídolos (1Cor 8-10; cf. domingos anteriores), Paulo tira as conclusões práticas. Comprar carne desses banquetes no mercado, sem ninguém o saber, pode parecer sem importância (10,25). Se, porém, alguém o sabe e se escandaliza, então não se deve comer dessa carne, por amor ao fraco na fé (10,28-29), pois não seria possível comê-la agradecendo a Deus (10,30). Daí a atitude geral: fazer tudo de sorte que seja um agradecimento a Deus, o que acontece quando é para o bem dos outros. Por fim, Paulo atreve-se a apresentar-se como exemplo, sendo Cristo o exemplo dele (cf. 1Cor 11,1; Fl. 3,17).

Dicas para reflexão
A exclusão virou princípio da organização socioeconômica: a lei do mercado, da competitividade. Quem não consegue competir deve desaparecer, quem não consegue consumir deve sumir. Escondemos favelas por trás de placas publicitárias. Que os feios, os aleijados, os idosos, os doentes de Aids não poluam os nossos cartões-postais!
Em tempos idos, a exclusão muitas vezes provinha da impotência diante da enfermidade ou, também, da superstição. Em Israel, os chamados leprosos eram excluídos e marginalizados, como ilustra abundantemente a legislação de Lv 13-14. Enquanto não se tivesse constatado a cura, por complicado ritual, o doente de lepra era considerado impuro, intocável. Jesus, porém, toca no homem doente e o cura. Sinal do reino de Deus. Jesus torna o mundo mais conforme ao sonho de Deus, pois Deus não deseja sofrimento nem discriminação. O Antigo Testamento pode não ter encontrado outra solução para esses doentes contagiosos que a marginalização, mas Jesus mostra que um novo tempo começou.
Começou, mas não terminou. Reintegrar os marginalizados não foi uma fase passageira no projeto de Deus, como os presentinhos dos políticos nas vésperas das eleições. O plano messiânico continua por meio do povo messiânico. Devemos continuar inventando soluções para toda e qualquer marginalização, pois somos todos irmãos e irmãs.
Seremos impotentes para erradicar a exclusão, como os antigos israelitas em relação à lepra? Que fazer com os criminosos perigosos, viciados no crime? O fato de ter de marginalizar alguém é reconhecimento da inadequação de nossa sociedade. Toda forma de marginalização é denúncia contra nossa sociedade e ao mesmo tempo um desafio. Muito mais ainda em se tratando de pessoas inocentes. A marginalização é sinal de que não está acontecendo o que Deus deseja. Onde existe marginalização o reino de Deus ainda não chegou, pelo menos não completamente. E onde chega o reino de Deus, a marginalização já não deve existir. Por isso, Jesus reintegra os marginalizados, como é o caso do leproso, dos pecadores, publicanos, prostitutas… Essa reintegração está baseada no “poder-autoridade” que Jesus detém como enviado de Deus: “Se quiseres, tens o poder de me purificar” (Mc 1,40). Jesus passa por cima das prescrições levíticas, toca no leproso e “purifica-o” por sua palavra, em virtude da autoridade que lhe é conferida como “Filho do homem” (= “executivo” de Deus, cf. Mc. 2,10.28).
Há quem pense que os mecanismos autorreguladores do mercado são o fim da história, a realização completa da racionalidade humana. E os que são (e sempre serão) excluídos por esse processo, onde ficam? Não será tal raciocínio o de um varejista que se imagina ser o criador do universo? A liturgia de hoje nos mostra outro caminho, o de Jesus: solidarizar-se com os marginalizados, os excluídos, tocar naqueles que a “lei” proíbe tocar, para reintegrá-los, obrigando a sociedade a se abrir e criar estruturas mais acolhedoras, mais messiânicas.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

11 DE FEVEREIRO: DIA MUNDIAL DO ENFERMO

“Levanta-te e vai, a tua fé te salvou” (Lc 17, 19)Com essa citação de Jesus demonstrando que o sinal da cura ia mais além, o Papa Bento XVI inicia a sua mensagem para o XX Dia Mundial do Doente, celebrado no Dia de Nossa Senhora de Lourdes, dia 11 de fevereiro.
Para nós no Brasil, esse dia se reveste de maior solenidade ainda, pois estamos a poucos dias da abertura da Campanha da Fraternidade, que justamente nos demonstrará um dos aspectos da importante Pastoral da Saúde, que é a questão da saúde pública.
Além das visitas aos enfermos nas paróquias e nos hospitais, e das campanhas de esclarecimentos e de conscientização da responsabilidade pela saúde das pessoas, a preocupação com uma assistência sanitária digna do ser humano para todos os brasileiros clama nos corações de todos.
Neste dia, unimos a nossa reflexão para que as pessoas experimentem a diferença que faz a fé em suas vidas quando se defrontam com a fragilidade da doença e da dor.
O Papa recorda dos sacramentos “de cura”, ou seja, o “Sacramento da Penitência ou da Reconciliação, e o Sacramento da Unção dos Enfermos, que encontram o seu cumprimento natural na Comunhão Eucarística.”
O tema mundial escolhido visa também ao “Ano da Fé”, que deverá ser “ocasião propícia e preciosa para redescobrir a força e a beleza da fé”. O Papa recorda que “deseja encorajar os doentes e quantos sofrem a encontrar sempre uma âncora segura na fé, alimentada pela escuta da Palavra de Deus, da oração pessoal e dos Sacramentos”... (Veja matéria completa,
clicando aqui).

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

JOVENS EM MISSÃO

Primeira Missão Jovem da Paróquia São Francisco de Assis em alagoinhas - BA.

 
Domingo dia 12 de Fevereiro
na Comunidade São José do Petrolar

Ônibus saindo da Igreja de São Francisco às 09hs.

Todos são convidados.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

USO E ABUSO DO MICROFONE NA LITURGIA

O uso do microfone na liturgia ajuda ou atrapalha?
A resposta parece óbvia, mas reflitamos.
Em algumas celebrações, por exemplo, tenho assistido uma banda se apresentando e abusando o máximo do som, parece mais shows do que animação do canto litúrgico. Às vezes até sem se dar conta, grupos tem adotado uma pratica que se afasta da verdadeira função do canto litúrgico e prejudica a participação da assembleia.
Em Igrejas pequenas já vi mais de dez microfones para o grupo de canto, de forma que o canto do povo de Deus é completamente abafado.
Este é o verdadeiro problema. Um instrumento técnico, o microfone, deve servir para animar a assembléia e não para abafar, esconder, suprimir as vozes do povo santo que se reúne para cantar as maravilhas do Senhor.
Então não devemos mais usar o microfone? É óbvio que, na maioria de nossas igrejas, precisamos de microfones. Mas o grupo de cantores deve usar este instrumento APENAS para iniciar o canto. Para tanto, não bastaria um ou dois microfones?
A voz da assembleia deve sempre ser prioridade. O que deve ser ouvido é o canto da assembléia litúrgica, povo sacerdotal, família de Deus, Corpo de Cristo, e não a voz de uma, duas ou cinco pessoas apenas. Costumo aconselhar: pelo menos nos refrões os cantores devem afastar-se dos microfones para que a voz da assembleia sobressaia. Se bem que tenho visto muito cantores que executam o canto sozinho e não estão nem ai para a participação da assembleia.
O mesmo vale para os instrumentos musicais, às vezes, é som demais para uma pequena ou média capela. Infelizmente, o que muitas vezes se constata é um barulho (ruído) excessivo que perturba e tira a calma e a serenidade indispensáveis para que a assembléia possa ouvir a própria voz e tenha momentos de silêncio que favoreçam a escuta da Palavra e o louvor que brota de nosso coração agradecido.
Faça a experiência de ouvir como é bonito o som de um violão sem amplificação! O ideal seria mais violões e menos amplificadores.
Não quero aqui desconsiderar a boa vontade, o empenho e a solicitude de tantos e tantos animadores de cantos, músicos e instrumentistas de nossas comunidades. Eles são uma bênção para as nossas comunidades.
Mas alerto para certos exageros e aponto para a função específica deste ministério: “garantir a devida execução das partes que lhe são próprias, conforme os vários gêneros de canto, e auxiliar a ativa participação dos fiéis no canto” (Instrução Geral sobre o Missal Romano, n. 103).
Sem dúvida, o microfone ajuda e muito na nossa liturgia, mas usado inadequadamente também atrapalha até demais. Às vezes, o mau uso é por parte de muitos leitores e até de nós padres. Observemos como estamos usando os microfones e sons em nossas capelas e Igrejas! Se for preciso que se faça treinamento de uso de microfones!
Certamente se assim precedermos teremos celebrações mais orantes e mais participativas.Pe. José Renato Peixinho Cruz.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

5º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Domingo, 05/02/2012

Primeira Leitura: Jó 7, 1-4.6-7
Encho-me de sofrimentos até ao anoitecer
Naqueles dias" 1A vida do homem sobre a terra é uma luta, seus dias são como os dias de um mercenário. 2Como um escravo que suspira pela sombra, e o assalariado que espera seu soldo, 3assim também eu tive por sorte meses de sofrimento, e noites de dor me couberam por partilha. 4Apenas me deito, digo: Quando chegará o dia? Logo que me levanto: Quando chegará a noite? E até a noite me farto de angústias. 6Meus dias passam mais depressa do que a lançadeira, e se desvanecem sem deixar esperança. 7Lembra-te de que minha vida nada mais é do que um sopro, de que meus olhos não mais verão a felicidade; - Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial(146)
REFRÃO: Louvai a Deus, porque ele é bom e conforta os corações.
Ou: R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.1. Salmo. Louvai o Senhor porque ele é bom; cantai ao nosso Deus porque ele é amável, e o louvor lhe convém. O Senhor reconstrói Jerusalém, e congrega os dispersos de Israel. - R.
2. Ele cura os que têm o coração ferido, e pensa-lhes as chagas. É ele que fixa o número das estrelas, e designa cada uma por seu nome. - R.
3. Grande é o Senhor nosso e poderosa a sua força; sua sabedoria não tem limites. O Senhor eleva os humildes, mas abate os ímpios até a terra. - R.
Segunda Leitura: 1º Coríntios 9, 16-19.22-23
Naqueles dias: 16Anunciar o Evangelho não é glória para mim; é uma obrigação que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho! 17Se o fizesse de minha iniciativa, mereceria recompensa. Se o faço independentemente de minha vontade, é uma missão que me foi imposta. 18Então em que consiste a minha recompensa? Em que, na pregação do Evangelho, o anuncio gratuitamente, sem usar do direito que esta pregação me confere. 19Embora livre de sujeição de qualquer pessoa, eu me fiz servo de todos para ganhar o maior número possível. 22Fiz-me fraco com os fracos, a fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, a fim de salvar a todos. 23E tudo isso faço por causa do Evangelho, para dele me fazer participante. - Palavra do Senhor.
Evangelho: Marcos 1, 29-39
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos - Naquele tempo, 29Assim que saíram da sinagoga, dirigiram-se com Tiago e João à casa de Simão e André. 30A sogra de Simão estava de cama, com febre; e sem tardar, falaram-lhe a respeito dela. 31Aproximando-se ele, tomou-a pela mão e levantou-a; imediatamente a febre a deixou e ela pôs-se a servi-los. 32É tarde, depois do pôr-do-sol, levaram-lhe todos os enfermos e possessos do demônio. 33Toda a cidade estava reunida diante da porta. 34Ele curou muitos que estavam oprimidos de diversas doenças, e expulsou muitos demônios. Não lhes permitia falar, porque o conheciam. 35De manhã, tendo-se levantado muito antes do amanhecer, ele saiu e foi para um lugar deserto, e ali se pôs em oração. 36Simão e os seus companheiros saíram a procurá-lo. 37Encontraram-no e disseram-lhe: "Todos te procuram." 38E ele respondeu-lhes: "Vamos às aldeias vizinhas, para que eu pregue também lá, pois, para isso é que vim." 39Ele retirou-se dali, pregando em todas as sinagogas e por toda a Galiléia, e expulsando os demônios. - Palavra da salvação.
Dicas para reflexão
As leituras de hoje estão interligadas por um fio quase imperceptível: enquanto Jó se enche de sofrimento até o anoitecer (1ª leitura), Jesus cura o sofrimento até o anoitecer (evangelho). O conjunto do evangelho mostra Jesus empenhando-se, sem se poupar, para curar os enfermos de Cafarnaum. E, no dia seguinte, o poder de Deus que ele sente em si o impele para outros lugares, sem se deixar “privatizar” pelo povo de Cafarnaum. A paixão de Jesus é deixar efluir de si o poder benfazejo de Deus. Ele assume, sem limites, o sofrimento do povo. Ele sabe que essa é sua missão: “Foi para isso que eu vim”. Não pode recusar a Deus esse serviço.
Nosso povo, muitas vezes, vê nas doenças e no sofrimento um castigo de Deus. Mas quando o próprio Enviado de Deus se esgota para aliviar as dores do povo, como essas doenças poderiam ser um castigo de Deus? Não serão sinal de outra coisa? Há muito sofrimento que não é castigo, mas, simplesmente, condição humana, condição da criatura, além de ocasião para Deus manifestar seu amor. O evangelista João dirá que a doença do cego não vem de pecado algum, mas é oportunidade para Deus manifestar sua glória (Jo 9,3; cf. 11,4).
Por mais que o ser humano consiga dominar os problemas de saúde, não consegue excluir o sofrimento, pois este tem outra fonte. Mas é verdade que o egoísmo aumenta o sofrimento. O fato de Jesus apaixonadamente se entregar à cura de todos os males, também em outras cidades, é uma manifestação do Espírito de Deus que está sobre Jesus e que renova o mundo (cf. Sl. 104/103,30). O evangelista Mateus compreendeu isso muito bem, quando acrescentou ao texto de Mc. 1,34 a citação de Is 53,4 acerca do Servo sofredor: “Ele assumiu nossas dores e carregou nossas enfermidades” (Mt. 8,17). E se pelo pecado do mundo as dores se transformam num mal que oprime a alma, logo mais Jesus se revelará como aquele que perdoa o pecado (cf. 7º domingo do tempo comum).
Também se hoje acontecem curas e outros sinais do amor apaixonado de Deus que se manifesta em Jesus Cristo, é preciso que reconheçamos nisso os sinais do reino que Jesus vem trazer. Não enganemos as pessoas com falsas promessas de prosperidade, que até causam nos sofredores um complexo de culpa (“Que fiz de errado? Por que mereci isso?”). Mas, em meio ao mistério da dor, dediquemo-nos a dar sinais do amor de Jesus e de seu Pai.
Fonte: padrefelix.com.br